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APARTAMENTO VAZIO

Apartamento vazio
Lembrança de um tempo nosso
Das noites amanhecer
Você vivendo visita
Até logo deixar de ser
De momento encontro bom
Alegria sem motivo
De discussão infinita
Com rega vinho ou cerveja
De sair de madrugada
Depois de você voltar
Todos os livros no chão
O pouco espaço casarão
Nada era motivo ou briga
Era tudo diversão
Não sei como esvaziou
Nossa morada de amor
Nosso encontro dimensão

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O PULSO

E porque insiste em tentar vendar meus olhos? Não tem vergonha de buscar desculpas, respostas, motivos quaisquer? Pra dizer que és vago, que és farsante, que não tens memória nem glória. Onde está a cabeça elevada de lombo doído, moída das horas sem fim? Onde está o pulso que dói, e por doer se levanta sem pena, com garra e sem dó de ninguém? Ele não está só. O corpo das costas cansadas, com os filhos no colo, com filhos com fome. Onde tu estás? Me fazes levantar e diz completar, honestamente, minha renda? Teus poucos centavos a mais? Não sou piada. Não luto pelas migalhas, eu luto no luto que parece eterno. Mentira encarnada, encrustada na pele, vermelho pintado, vermelho sem sangue. Tomei teu café, escutei tua história e ainda em delírio confiei na tua trama. Na cama mal feita, na cama de gato deitei e sonhei. Mas acordo e meu vermelho é real, manchará tua alva invenção. O pulso não está só, derramará teu sangue, e vencerá. Luiza Mattos Nov, 2014

ESTRANHA CERTEZA

Que estranho ter pai doente Assim de hora pra outra Dar banho, limpar o corpo Dormir cortado no tempo Que logo não faz sentido Ele se perde nos dias E eu perdida nas horas Será que dorme essa noite? Será que foi tudo embora? O pensamento bagunçado Que ama e cospe no prato Arremessa tudo que vê E logo conta outra história Se lembra dos pagamentos Manda e desmanda no vento Vem raiva, espanto e tormento Os outros que não entendem “São burros, que tonta gente!” Transfere a raiva e revida Uma agressão inventada Uma noite mal dormida Que estranho é dar de comer Aquele que briga comigo E ao mesmo tempo é abrigo Um toque, um cafuné Um pedido de desculpas Um beijo e muito carinho Entre trancos e barrancos Ele também já foi ninho Sempre foi rei de si mesmo Viu pouco além do umbigo Mas tem coração generoso Só não fez muito sentido Vocês não sabem do intelecto Que tinha tal indivíduo Não errava uma conta E a explicação sempre pronta A vida é sempre supressa Um dia de cada vez Ele trilhou seu camin...