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APARTAMENTO VAZIO

Apartamento vazio
Lembrança de um tempo nosso
Das noites amanhecer
Você vivendo visita
Até logo deixar de ser
De momento encontro bom
Alegria sem motivo
De discussão infinita
Com rega vinho ou cerveja
De sair de madrugada
Depois de você voltar
Todos os livros no chão
O pouco espaço casarão
Nada era motivo ou briga
Era tudo diversão
Não sei como esvaziou
Nossa morada de amor
Nosso encontro dimensão

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Angústia que se bebe gole a gole. Que dor incrível aprender a ser gente, que sabor amargo tem a realidade humana. Carne sobre ossos, sangue. O tempo não passa e eu continuo aqui sentado nesta estrada árida e quente. Como vim parar aqui? Uma lembrança empoeirada. Saí de casa empurrado pelo medo, conheci meus monstros. Meus fantasmas voltaram todos. Eu que me sentia curado, disposto e feliz, permaneço aqui sentado enquanto tomo fôlego pra continuar a caminhada. A estrada é cada vez mais estreita, a vegetação mudou várias vezes. As árvores agora estão secas. Não existem muitas flores que sobrevivam a este clima. Avistei, a uns quilômetros atrás, um campo de sempre-vivas. Servem para o sustento. Me ponho a imaginar, eu, garoto da cidade, a família que mora na casa de pau-a-pique, de chão batido, ao lado da pequena plantação. Posso ver os retratos coloridos a mão e a vassoura feita de palha. Água, por favor água, estou com sede. O sol continua quente sobre meus ombros, tontura e cansaço mis...

O PULSO

E porque insiste em tentar vendar meus olhos? Não tem vergonha de buscar desculpas, respostas, motivos quaisquer? Pra dizer que és vago, que és farsante, que não tens memória nem glória. Onde está a cabeça elevada de lombo doído, moída das horas sem fim? Onde está o pulso que dói, e por doer se levanta sem pena, com garra e sem dó de ninguém? Ele não está só. O corpo das costas cansadas, com os filhos no colo, com filhos com fome. Onde tu estás? Me fazes levantar e diz completar, honestamente, minha renda? Teus poucos centavos a mais? Não sou piada. Não luto pelas migalhas, eu luto no luto que parece eterno. Mentira encarnada, encrustada na pele, vermelho pintado, vermelho sem sangue. Tomei teu café, escutei tua história e ainda em delírio confiei na tua trama. Na cama mal feita, na cama de gato deitei e sonhei. Mas acordo e meu vermelho é real, manchará tua alva invenção. O pulso não está só, derramará teu sangue, e vencerá. Luiza Mattos Nov, 2014