O corpo cansado. A cama larga. Exaustão. O banho arrastado e o pensamentos já sob os lençóis. A quentura do verão liga o ventilador. A carne densa, pesada, lançada ao sono. Os olhos se fecham. Imobilidade. Perturbação. Ainda desnorteada. Sinto as mão suaves. Nossos lençóis, minha pele e tua boca.
Tem pássaro fora do ninho Já ensaiando seus voos Filhote de pomba-rola Caiu no chão meio à toa Presenciei o encontro Da cobra verde com ele Também a cobra é pequena A tal Philodryas olfersii A cobra-verde-cipó Meu coração disparou E dei pisada no chão Dei com graveto um cutucão Sem certeza interferi A cobra seguiu destino Eu resgatei o filhote Mas não encontrei seu ninho Botei num galho bem alto Agora deixei ele só Tomara que não encontre Nenhuma outra cobra-cipó Luiza Mattos Rio Pardo 2021
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