O corpo cansado. A cama larga. Exaustão. O banho arrastado e o pensamentos já sob os lençóis. A quentura do verão liga o ventilador. A carne densa, pesada, lançada ao sono. Os olhos se fecham. Imobilidade. Perturbação. Ainda desnorteada. Sinto as mão suaves. Nossos lençóis, minha pele e tua boca.
E porque insiste em tentar vendar meus olhos? Não tem vergonha de buscar desculpas, respostas, motivos quaisquer? Pra dizer que és vago, que és farsante, que não tens memória nem glória. Onde está a cabeça elevada de lombo doído, moída das horas sem fim? Onde está o pulso que dói, e por doer se levanta sem pena, com garra e sem dó de ninguém? Ele não está só. O corpo das costas cansadas, com os filhos no colo, com filhos com fome. Onde tu estás? Me fazes levantar e diz completar, honestamente, minha renda? Teus poucos centavos a mais? Não sou piada. Não luto pelas migalhas, eu luto no luto que parece eterno. Mentira encarnada, encrustada na pele, vermelho pintado, vermelho sem sangue. Tomei teu café, escutei tua história e ainda em delírio confiei na tua trama. Na cama mal feita, na cama de gato deitei e sonhei. Mas acordo e meu vermelho é real, manchará tua alva invenção. O pulso não está só, derramará teu sangue, e vencerá. Luiza Mattos Nov, 2014
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